Até que Ele venha... 2

Até que Ele venha…

Prosseguiremos construindo Relacionamentos Discipuladores.

‘Por isso, exortem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo’. 1 Tessalonicenses 5:11

Amados irmãos, Graça e Paz.

Percebemos nitidamente em nossos dias que a sociedade está em constante processo de mudança. Desde o acirramento da Globalização como motor econômico, aliado ao uso de novas tecnologias impulsionadas pelo fenômeno da INTERNET, os antigos modelos recebidos da modernidade se diluem rapidamente. O cientista político René Dreifuss já nos alertava no passado que essas mudanças importariam numa espécie de “normalização” de conceitos sociais (que ele denominara de Mundialização), onde as culturas perceberiam, independente das distâncias entre cada povo e nação, profundas mudanças: de mentalidades, de hábitos, de estilos de comportamento, usos e costumes, com o fim de estabelecer a criação de “denominadores comuns”, respeitados em certa forma nos seus individualismos possessivos, com a larguíssima possibilidade de perda de identidades nacionais em função da construção daquilo que se convencionou chamar de Aldeia Global – que difunde a globalização como algo que cria “um único modo” de vivência sem fronteiras. Mas na verdade seria um “globalitarismo” em que o indivíduo apenas é um “cidadão global” se possuir os meios tecnológicos e os recursos que possibilitam que isto aconteça. Observando esse fenômeno, o filósofo polonês Zigmund Bauman cunhou um termo apropriado para isso: MODERNIDADE LÍQUIDA. Ele define claramente a sociedade atual.

Na modernidade líquida, o indivíduo é que moldará a sociedade à sua personalidade. Sem os parâmetros da “modernidade sólida”, o indivíduo será definido pelo seu estilo de vida, por aquilo que ele consome e o modo que consome. Na modernidade sólida, a máxima filosófica era “Penso, logo existo”; na líquida, transformou-se em “CONSUMO, LOGO EXISTO”. Nessa modernidade líquida há sempre movimentação. As pessoas agora se deslocam mais facilmente e podem viver em vários lugares do mundo, sempre quando têm recursos para tal. Nessa modernidade, a competição econômica e a tecnologia aumentaram a produtividade, todavia, fizeram os salários diminuírem e os trabalhadores perderem a segurança do emprego. Já não é mais possível trabalhar toda uma vida na mesma empresa. Resumindo, a modernidade líquida: 1) é fluída (volúvel, adaptável, inconstante); 2) está em movimento; 3) é imprevisível.

Modernidade líquida, Relacionamentos Líquidos. A blogueira brasileira Giseli Betsy identificou que, no campo dos relacionamentos, estamos marcados pela vivência de “um mundo de incertezas, cada um por si”. Temos relacionamentos instáveis, pois as relações humanas estão cada vez mais flexíveis. Acostumados com o mundo virtual e com a facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um relacionamento de longo prazo. É um amor criado pela sociedade atual (modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos sérios e duradouros. Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso haja defeito descarta-se – ou até mesmo troca-se por “versões mais atualizadas”.

Em tempos de Relacionamentos Líquidos a resposta de Deus se baseia na solidez da construção de RELACIONAMENTOS DISCIPULADORES. Nesses tempos de instabilidade, Deus nos responde com o absoluto de Sua Palavra e com a doçura de Sua presença, para ajudar-nos preencher os “vazios relacionais” e compreendermos, sobretudo, que a caminhada cristã é NECESSARIAMENTE COLETIVA. Não é à toa que Paulo nos ensina em Efésios que fomos resgatados por Deus para fazermos parte de Sua Família (Ef 2.19).

De fato, prestaremos contas individualmente diante de Deus. Mas, aqui na terra, vivemos o cristianismo sob uma ótica de MUTUALIDADE. Não é à toa que no Novo Testamento vemos várias vezes expressão “uns aos outros” [Rm 14.19; 15.7, 14; 12.10, 18; Gl 5.13; 6.2; Ef 4.32; Cl 3.16; 1 Ts 5.11; Tg 5.16; 1 Jo 4.7] – devemos edificar, admoestar, encorajar, ser devotados, ter paz, servir, levar as cargas, ser gentis, ensinar, encorajar, confessar as nossas faltas, orar e amar UNS AOS OUTROS.

Minha humilde orientação para você, meu irmão amado: permita-se ser ministrado pelo Espírito Santo de Deus que corre no Seu Corpo, na coletividade, na igreja. Não fique sozinho nessa caminhada, pois ela foi estruturada para ser executada coletivamente. Se você ficar sozinho, será mais vulnerável e se tornará um alvo fácil de Satanás.

Pense nisso!

Shalom,

Haydene Cassé da Silva.

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