Eu não vejo nada de mais! 2

Eu não vejo nada de mais!

Esta é uma afirmação que usamos para nos justificar quando fazemos algo que outros não concordam. Algumas vezes podemos estar certos e algumas vezes não. Talvez Ló pudesse usá-la para justificar o fato de estar morando em Sodoma. Ele começou armando as suas tendas na planície de Sodoma, mas aos poucos foi se aproximando da cidade, foi se acostumando com ela, até que passou a morar dentro da cidade (Gen. 13:12). Com certeza ele não via nada de mais nisto, pois ele não praticava os pecados da cidade, mas estava convivendo no meio de pessoas depravadas, cujo comportamento Deus condenara. Sua escolha, no entanto, trouxe como consequência a morte de sua esposa, que por saudade de Sodoma olhou para traz e virou uma estátua de sal.

Este é o nosso problema. As pequenas concessões vão enfraquecendo a resistência de nossa consciência. Não se faz um alcoólatra da noite para o dia; ele começa com pequenas doses, as quais vão aumentando em quantidade e frequência, até que não há mais controle. Quando um casal de namorados evangélicos cede às tentações da carne e se envolve em intimidades físicas finais, isto foi fruto de pequenas concessões de parte a parte, que vão se intensificando até não ter mais retorno. E o argumento usado para continuar com as intimidades é sempre este: “não tem nada de mais”, “todo mundo faz”.

Entre as características de um crente no Senhor Jesus Cristo está a mente transformada, como diz Paulo em Romanos 12:1,2: “…E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente…”. E isto acontece porque “nós temos a mente de Cristo” (I Cor. 2:16). Isto não quer dizer que vamos viver fora da realidade ou que não possamos estudar e nos tornar bons profissionais. A mente de Cristo em nós nos capacita a discernir quais coisas são aceitáveis ou não. Convivemos num mundo corrupto e o perigo é nos acostumarmos com suas práticas a ponto de não acharmos nada de mais também as fazermos. Pode ser que algumas dessas coisas não sejam em si pecado, mas ao fazê-las, se tornam em embaraços ao nosso testemunho para com amigos descrentes e mau exemplo para pessoas que estão sob nossa influência, quando somos líderes. Por isso o apóstolo Paulo exortou: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (I Coríntios 6:12).

No Capítulo 11 da mesma carta ele retorna ao assunto tomando como exemplo o comer carne ou não. Ele está mostrando como a liberdade pode ser limitada pelo amor. Ele termina dizendo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço (embaraço) nem a judeus, nem a gregos, nem a igreja de Deus. Assim como também eu em tudo procuro agradar a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que sejam salvos” (11:31-33). Esta atitude, na verdade, vai depender do nível de intimidade que estamos tendo com Deus e do desejo que tenhamos de realmente agradá-lo.

A questão é: o que estou fazendo é lícito? Agrada a Deus? Edifica os meus irmãos que estão ao meu redor? Contribui para a conversão dos meus amigos? Não creio que dançar num baile de formatura, ou em qualquer outro tipo de ambiente, seja algo que responda positivamente às perguntas anteriores. Assim como frequentar shows mundanos, dizer palavrões, fazer fofoca, tomar bebidas alcoólicas, não condizem com o testemunho de um filho de Deus.

Eu posso achar que não é nada de mais fazer isto ou aquilo, mas o que Deus acha? Além disto eu não posso me esquecer de que ao me tornar membro de uma igreja eu tenho compromisso com ela e devo satisfação dos meus atos aos meus irmãos, do menor ao maior. “Deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus…” (Heb.12:1-2).

Concluo com as seguintes palavras do apóstolo Paulo: “Bem aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova” (Rom. 14:22).

No amor de Cristo, Pr. Tomaz Munguba – (Reedição da Pastoral de 02/06/2002)

%d blogueiros gostam disto: