LIMPE SUA CAIXA D’ÁGUA 2

LIMPE SUA CAIXA D’ÁGUA

Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Pv. 4:23.

Há alguns anos passei uns dias em um povoado isolado no interior das Minas Gerais, em uma pequena casa de roça que há muito tempo não era frequentada. Assim que abri a porta, vi que móveis e utensílios estavam em seus devidos lugares e que uma boa faxina daria conta da poeira que cobria o interior do lugar abafado mas um pouco menos quente do que o tórrido calor de sol a pino do lado de fora. Um toque no interruptor confirmou minhas esperanças de poder contar com energia elétrica tanto para usar o ventilador como a bomba d’água para fazer a água do poço subir até a caixa e, de lá, abastecer as torneiras e o chuveiro. Trinta minutos depois, a caixa d’água estava cheia e eu precisando de um banho. Tudo ia muito bem.

Então, abri o chuveiro.

Aquele “barulho de água chegando” e o tremor no cano pareciam ótimos sinais, mas nenhuma água caiu. Poucos segundos depois, a esperança deu lugar ao susto quando jatos de água turva brotaram ferozes das juntas do cano antigo espalhando mal cheiro pelo banheiro apertado. Girei o registro pra fazer parar os jatos enquanto tentava entender o que havia acontecido. Nas torneiras das pias não era diferente: a água não somente era marrom e mal cheirosa, mas também era “habitada” por pequenas larvas que nadavam agitadas, como que zombando da minha “inocência”. Não demorou muito pra encontrar a origem do problema: a água do poço era limpa, mas a caixa d’água estava imunda e, por mais que o cansaço me fizesse pensar em soluções estúpidas para a questão, não havia outra coisa a fazer. Naquela tarde, aprendi a ser grato por coisas como escova, sabão e (muita) água sanitária. Já era noite quando terminei de lavar a caixa d’água e pude enfim, tomar banho.

Quando me lembro daquele dia quente no norte de Minas, as palavras do sábio escritor de Provérbios parecem se tornar ainda mais claras e reveladoras com respeito a viver de modo agradável a Deus ao longo de nossa caminhada: “guarde o seu coração”. Para resolver o problema da qualidade da água, limpar o chuveiro ou a torneira não faria sentido algum; era necessário purificar a caixa de onde vinha a água. Curiosamente, no entanto, a mesma verdade não parece tão clara quando lidamos com as manifestações da pecaminosidade que nos assola desde Adão. Não raramente, nos vemos preocupados em “fiscalizar” e moldar nossas palavras e os comportamentos (e os de outras pessoas também) com o objetivo de vivermos uma vida “santa” e exemplar. Tal atitude – a religiosidade – geralmente leva o ser humano à exaustão, à hipocrisia ou ao cinismo.

Nas palavras de Jesus aos líderes religiosos do judaísmo, não é o descumprimento de rituais religiosos que tornam impuro um ser humano, mas tudo aquilo que brota do coração enganoso e continuamente perverso que domina nossa raça desde a Queda.

Somente pela graça de Deus Pai, pelo sangue do Cristo derramado na cruz e pela santificação do Espírito é que podemos ter nosso coração – as fontes de nossa vida – purificado e, assim, vivermos para a glória de Deus e para manifestar aos homens o Seu amor.

Mantenha seu coração (sua mente, suas afeições e sua vontade) puro e submisso ao Rei manso e humilde, pois é dele que procedem suas palavras, ações, hábitos e caráter.

Que Seu Reino venha sobre nós.

Em Cristo, seu irmão, Máisel.

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