O “Mês da Juventude” (mas que mês não é?) - CAPÍTULO 1 – A Revolução

O “Mês da Juventude” (mas que mês não é?) – CAPÍTULO 1 – A Revolução

CAPÍTULO 1 – A Revolução

Um bando de garotos caminha rápido pela estrada empoeirada. Estão em número exato para formar um time de futebol. Estão agitados, empolgados, afinal, nunca haviam visto nada como o que viram e viveram ao longo do último mês e pouco. Estradas poeirentas, noites ao ar livre e o inusitado viraram rotina desde que se uniram à causa de libertar sua terra dos imperialistas que haviam invadido o Oriente Médio.

Mesmo tão jovens, alguns deles andavam armados e cometiam atentados contra soldados estrangeiros que violavam os direitos do povo à liberdade de culto e à posse da terra. Outros deles trabalhavam em negócios familiares, aprendendo com seus pais um ofício que seguiriam pelo resto da vida. Nenhum deles era brilhante, longe disso. Estavam destinados a ser homens comuns e a desaparecer na história. Isso até o dia em que se lançaram à odisseia que, agora, durava já mais de dois anos.

A estrada terminava em uma trilha que levava ao topo de uma colina, o ponto de encontro designado. Ali, se reuniriam com seu líder para planejar a fase final da Revolução que expulsaria os invasores e reconquistaria a liberdade do povo. O barulho e a empolgação haviam sido calados pela expectativa. Agora, o único som que ouviam era o do vento que açoitava a vegetação agreste e o de sua própria respiração ofegante. Cerraram os olhos contra o sol, em busca do cabeça de seu líder até que o viram acenando para eles, ao longe. Reencontrá-lo trazia alívio, confiança. Mal podiam acreditar que ele estava ali, depois do que lhe acontecera semanas antes. O homem, trinta e poucos anos, corpulento, com rosto sólido coberto de barba cerrada, tinha um riso alto e um abraço forte ao reencontrar seus companheiros. Há mais de um mês, havia sido preso, torturado e sofrera a pena capital. Mas, inexplicavelmente, estava vivo, tinha apenas algumas cicatrizes que serviam para lembrá-los do inesquecível.

Ele os encarava com um olhar de quem sabe o que está por vir e não vê a hora de contar. Para muitos, aqueles meninos não eram dignos de crédito. Ainda assim, ele os escolhera a dedo para dar início à Revolução que, desde o início, estava fadada ao sucesso. A hora chegara. Com um suspiro de satisfação, ele inicia aquela que seria a mais breve e importante de suas reuniões.

– Senhores, voltem à capital e fiquem lá até eu mandar que saiam. Em alguns dias, vocês conhecerão aquele que os ajudará a por em prática o que aprenderam comigo. Só então estarão prontos.

Incrédulos, os garotos sentiam o peso da frustração demolindo seus sonhos de triunfo.

– Mas… é agora que o senhor vai libertar nosso povo e recuperar o poder que nos pertence?

Com a firmeza de sempre, o chefe do bando respondeu:

– Quando vai acontecer não é da alçada de vocês e vai acontecer quando meu pai quiser. O que precisam saber é que vão receber um “poder explosivo” quando eu enviar o Espírito sobre vocês. Então, vão contar a minha história até na mais distante vila do mundo. Ah, e eu vou estar com vocês, até o fim.

O plano era muito diferente do que haviam pensado. Aquilo tudo não parecia fazer sentido, mas fazia todo sentido, afinal, ele disse que um Reino viria, mas nunca mencionou violência ou dominação. O homem que lhes lavara os pés 40 dias antes vencera a opressão usando apenas o amor e a fé – essas eram as armas da Revolução.

Inexplicavelmente, o Nazareno começou a ser elevado no ar. Em pouco tempo, o homem que voltara da morte estava suspenso a metros de altura de seus pupilos. Assombrados, ouviram a voz firme e encorajadora de seu mestre:

– Lembrem-se, rapazes, não tenham medo! Eu vou estar com vocês todos os dias, até o fim!

Agora, o espanto que fazia seus corações quase saltarem pela boca só não era maior do que a alegria que lhes dominava o espírito, enquanto seu líder sumia entre as nuvens do céu. E essa foi a última vez que o viram. Ou, pelo menos, era o que pensavam…

Dos onze, dez foram assassinados por causa da Mensagem ao longo dos anos que se seguiram. Um dos mais jovens do grupo – um tal João – foi provavelmente o único que morreu de velho, possivelmente em uma prisão-ilha, onde foi encarcerado também por causa da mensagem. Mas, ao contrário do que se podia dizer deles ou do que eles mesmos podiam imaginar, aqueles jovens não caíram no limbo da história, mas a escreveram para que nós, hoje, pudéssemos conhecer o Carpinteiro-Deus de Nazaré.

Um dia, em uma praia, na coletoria ou debaixo da figueira, um jovem chamou um grupo de homens que acabaram por mudar o mundo. Um punhado de jovens e adolescentes…

 

 

(Continua…)