Pastoral 4 - Mês da Juventude

Pastoral 4 – Mês da Juventude

Quase dez anos atrás, ouvi pastor Tomaz pregar um sermão que nunca mais me deixou em paz. Era um domingo, como tantos outros que já vivemos em Jaguaribe. Por alguma razão, naquele dia, ele decidiu fazer de uma pergunta o tema de sua pregação. Perguntas, aliás, são “o que move o mundo” – como disse um sábio anônimo – e, naquela tarde, a pergunta do homem piedoso, grisalho e elegante moveu meu mundo e me fez passar a ver a vida e o serviço a Deus de um jeito um pouco diferente.

A pergunta se encontra no verso 66 do longo primeiro capítulo do Evangelho de Lucas, e é resultado do espanto do povo que tomou conhecimento dos fenômenos envolvendo o nascimento de um menino, filho de pai e mãe avançados em idade. Nove meses antes, o marido, Zacarias, ficou mudo durante toda a gravidez de sua esposa, por não ter dado crédito à absurda promessa trazida pelo anjo. Faltara ao pobre sacerdote a fé necessária para desafiar a óbvia e ululante realidade: sua esposa não só era avançada em idade, mas, diz o texto, era também estéril.

Sem poder falar, Zacarias se viu forçado, por nove longos meses, a remoer o que ouviu e a aprender a lição. Na hora certa, contrariando o costume, em vez de dar ao filho seu próprio nome, mesmo mudo, escreveu o nome “João”, que seria dado ao menino pelo simples fato de que Deus assim dissera que deveria ser. Sua obediência soltou-lhe a língua, e, cheio do Espírito Santo, pôs-se a profetizar sobre o filho – o “profeta do Altíssimo que prepararia o caminho do Senhor”. Espantada, a gente do interior de Israel, então, se perguntava “O que será deste menino?”. O menino cresceu, o Senhor era com ele e, anos mais tarde, foi o filho de Zacarias, João, o Batista, que viu e ouviu a aprovação do Céu sobre seu primo, Yeshua de Nazaré, o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo.

Esses dois homens foram forjados por seus pais, desde muito pequenos, segundo o que Deus dissera que deles se faria e, na plenitude dos tempos, cumpriram seu papel na história da salvação – o mais velho preparando o caminho do mais jovem, que mudou o rumo da humanidade.

Dois milênios depois, Deus segue convocando e destinando os pequeninos a deixarem sua marca na história e mudarem a vida de tanta gente desta geração. Para que isso aconteça, no entanto, vai ser necessária dedicação e devoção a Deus e a Seu plano por parte daqueles a quem os pequeninos foram confiados. É necessário que, como pais, responsáveis, professores e discipuladores, encaremos o serviço aos pequeninos e sua formação integral como súditos do Reino de Deus, cooperadores de Deus na história da salvação.

Hoje como outrora, ecoa a pergunta feita sobre o menino João. Quais têm sido nossas expectativas a respeito de nossos filhos e dos pequeninos de nossa igreja? São essas expectativas que, enfim, determinarão a resposta à pungente questão: “o que será destes nossos meninos e meninas?”. Que o Senhor encontre em nós servos dispostos a reconhecer a importância dos pequenos e investir mais de nossas vidas para que sejam discípulos de Cristo ainda mais fiéis do que nós.

 

Máisel Rocha