SETEMBRO AMARELO: BORA FALAR DE DEPRESSÃO? 2

SETEMBRO AMARELO: BORA FALAR DE DEPRESSÃO?

Em 2015, o CVV* (Centro de Valorização da Vida), o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a ABP Associação Brasileira de Psiquiatria) criaram uma campanha de conscientização sobre a importância do tratamento contra a depressão como prevenção do suicídio. A iniciativa adotou setembro como mês de ênfase nas ações de conscientização e o amarelo como cor símbolo da luta contra a depressão – principal fator motivador de tentativas de suicídio atualmente.

Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) estimam que uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos, sendo a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, o suicídio faz mais vítimas do que o HIV/AIDS e o câncer. Ainda assim, apesar dos dados preocupantes, depressão e suicídio ainda são tratados como tabus por grande parte da sociedade e, entre cristãos evangélicos, o preconceito para se tratar do tema é ainda maior.

Pregações triunfalistas, teologias desconectadas com a realidade da vida e crenças perniciosas (que afirmam tolices como “quem tem depressão está em pecado” e “depressão é ‘problema espiritual’ causado por demônios”) fazem com que um número incalculável de gente remida pelo sangue do Cordeiro e salva pelo Senhor Jesus Cristo carregue sozinha e calada o pesado fardo da tristeza e falta de esperança que oprime quem sofre com o chamado “mal do século”.

Curiosamente, no entanto, a história de Deus está repleta de exemplos de homens e mulheres que lutaram contra a exaustão, a tristeza profunda, o desespero e o sentimento de solidão e abandono. Tendo visto o poder de Deus de tão perto, o grande profeta Elias, exausto e aterrorizado pelas ameaças de Jezabel, pede ao Senhor que ponha um fim em seus dias (1 Reis 19); maior missionário da história, o apóstolo Paulo, quase esmagado pelo peso das tribulações, perde a esperança da própria vida (2 Coríntios 1:8); finalmente, angustiado e aflito na noite em que foi traído e preso, Jesus de Nazaré pede a seus amigos que fiquem com Ele, cuja alma está “angustiada até a morte” (Marcos 14:34). Em nossa história mais recente, gente como David Brainerd (cujo diário, depois da Bíblia, é tido como o livro que mais despertou cristãos para a obra missionária) e Dorothy Carey (esposa do grande William, o “pai das missões modernas”) lutaram contra a depressão por longos anos, e, ainda assim, poderiam muito bem estar na vasta e ainda não terminada “galeria dos heróis da fé” – formada por homens e mulheres dos quais o mundo não é digno e dos quais Deus não se envergonha.

Por isso, meu irmão e irmã, se a vida está pesada demais a ponto de parecer insuportável, por favor, não desista e não se acanhe: peça e procure ajuda. Conte com o apoio de irmãos maduros no Corpo de Cristo, no qual, aliás, onde um membro sofre, todos sofrem com ele. Além disso, bons psicólogos e psiquiatras competentes são, sim, instrumentos nas mãos de Deus para cura da alma e da mente; ah, medicamentos podem ser, sim, recursos usados por Deus para debelar transtornos diversos de ordem psicológica ou emocional (já parou para pensar por que tanto preconceito contra o uso de antidepressivos enquanto anti-hipertensivos, anti-inflamatórios, anti-hiperglicemiantes e tantos outros medicamentos são utilizados sem hesitação, em muitos casos, por toda a vida?).

Depressão, como outras enfermidades, tem cura. O amoroso Deus não perdeu o controle de seus dias, o sol continua a brilhar por cima das nuvens e a esperança há de renascer. Até lá, a gente divide a carga e segue andando até vencermos, juntos, essa terra de nossas peregrinações.

Na viva esperança em Cristo, seu irmão, Máisel.

*O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e
prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as
pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone
(188), email e chat 24 horas todos os dias. Para mais informações,
acesse https://www.cvv.org.br

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